you’d be here by now

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“Queria que soubesse que tudo que eu escrevo é pra você. E quando não é, acaba sendo de qualquer jeito. Todas aquelas coisas que eu escondi. Tudo que eu deveria ter dito, mas omiti. Fingi, sei lá. Tudo que eu escrevo é pra você, ainda que você nunca tenha parado pra ler.”

Estava pensando como seria se todos nós fossemos esses filmes românticos que eu tanto gosto e lembrei de você. O protagonista seria exatamente o seu tipo: aquele cara que começa canalha, se apaixona e jura que mudou. Mas o seu caso foi o contrário, você era o bonzinho que virou um canalha. Enquanto eu imaginava uma história, a nossa própria vida passou diante dos meus olhos. Enquanto a protagonista chorava as suas próprias desilusões, lembrei das lágrimas que derramei ao descobrir, aos poucos, que você não era o príncipe no cavalo branco que a menina guardada em mim tanto sonhava (e que eu também não era nenhuma princesa). Imaginei nós dois ali, protagonizando uma história que me arrancou sorrisos, risadas, suspiros, alegrias, raivas e choros incontroláveis. Você provavelmente não sabe (não faz seu estilo musical), mas o título deste texto é de uma música da Taylor Swift. Foi o que eu estava escutando ao imaginar isso, Porque, se isso aqui fosse Hollywood, como seria o nosso fim? Talvez você tivesse me traído. Mas ia se mostrar tão arrependido, que eu conseguiria perdoar. Ou talvez brigássemos por motivos idiotas, mas, quase perto do fim, você apareceria no meio do casamento da minha melhor amiga e se declararia. Se isso fosse um filme, a gente teria tempo de consertar os nossos erros entre o início e o letreiro final. E a música romântica ficaria mais alta no meio do nosso beijo. Talvez a gente tivesse encarado os mesmos erros. Mas daríamos um jeito. Protagonistas de romances sempre dão, não é? Quer dizer, de vez em quando um roteiro moderninho quer inovar, e os mocinhos não acabam juntos no final. Acho que é aí que a gente se encaixa: nesses dramas que arrancam mil lágrimas e deixam o espectador morrendo de raiva. Se eu estivesse nos assistindo, eu também iria querer invadir a televisão e mudar o nosso adeus. Mas todo filme romântico acaba com a declaração, o beijo, o romance e os agradecimentos. A tela fica preta e, aí, eu finalmente lembrei que a verdadeira semelhança das duas histórias era o inevitável “the end”. Na vida real, a nossa história não acabou com declaração, beijo, romance e, muito menos, agradecimentos. Do seu lado, não teve amor. E, do lado de cá da tela, é mesmo só vida real. Então vamos ignorar o outro, tentar fingir que a outra pessoa não existe, mesmo que no fundo, ambos sabemos que não era para acabar assim. E nossa história se parece com uma tragédia agora, acho que você está fazendo o seu melhor para me evitar. Porque, já diria a Taylor Swift, se isso fosse um filme, you’d be here by now.

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